Viernes, 28 Julio, 2017

Ex-presidente do Peru é condenado à prisão

Humalais é levado às autoridades em Lima no Peru- ERNESTO BENAVIDES  AFP Humalais é levado às autoridades em Lima no Peru- ERNESTO BENAVIDES AFP
Eleena Tovar | 16 Julio, 2017, 05:28

Antauro Humala, atual líder do etnonacionalismo no Peru, cumpre desde 2009 uma condenação de 19 anos de prisão por rebelião e homicídio por liderar em 2005 uma revolta contra o então presidente Alejandro Toledo na qual morreram quatro policiais. Toledo trabalha para a universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e não voltou ao Peru para prestar contas à Justiça.

Já Alan García - chefe de Estado entre 1985 e 1990 e entre 2006 e 2011 - também está a ser investigado por suspeitas de aceitação de subornos da construtora, cujos executivos já admitiram ter financiado campanhas eleitorais suas.

A Justiça peruana decretou nessa quinta-feira (13) a prisão preventiva, por 18 meses, do ex-presidente Ollanta Humala (2011-2016) e de sua mulher, Nadine Heredia. Segundo informações do Ministério Público do Peru na terça-feira, o juiz convocou uma audiência que será realizada na quarta-feira, às 10h (12h de Brasília).

O mesmo juiz já tinha ordenado a detenção de outro ex-presidente peruano, Alejandro Toledo, por motivos relacionados.

Ollanta Humala e Nadine Heredia passam de carro entre repórteres em Lima- GUADALUPE PARDO  REUTERS
Ollanta Humala e Nadine Heredia passam de carro entre repórteres em Lima- GUADALUPE PARDO REUTERS

A Odebrecht admitiu, perante a Justiça norte-americana, ter pago US$ 788 milhões em propina em doze países entre 2001 e 2016, desencadeado uma série de investigações.

Humala e Heredia que assistiam tudo de casa, se entregaram no final da tarde. Toledo é considerado foragido pelas autoridades de Lima. "Confiamos na lei!" escreveu Heredia. "Esta é a confirmação do abuso de poder, que nós vamos enfrentar, em defesa de nossos direitos e dos direitos de todos”, disse o ex-presidente, que deixou o poder em julho do ano passado, com a posse de Pedro Pablo Kuczynski". Um documento do Supremo Tribunal Federal do Brasil assinala que, de acordo com o empresário da construção, "o Grupo Odebrecht, a pedido de Antonio Palocci Filho, enviou, através do Departamento de Operações Estruturadas [o setor da Odebrecht encarregado de administrar as propinas], três milhões de dólares (10 milhões de reais) ao candidato à Presidência do Peru Ollanta Humala".

A Odebrecht está no centro de um dos incontáveis eixos da Lava Jato, a mais complexa investigação de corrupção da História do Brasil, mas a sua atuação vai muito para além das fronteiras daquele país.